Inspiração

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A unica inspiração que me vem é essa através do ar dilacerado pelo movimento das nuvens cinzas que preenchem a cidade dos sonhos. A chuva  contra a luz, reluz nosso passado, onde almejávamos um mundo melhor, que foi apedrejado por corações insensíveis, sentimentos desprezíveis.

Estamos apenas pegando e soltando, descartáveis,  nada nos apega, acabou nossa entrega. Havia um lugar que tínhamos esperança, dança, crença, acordados em um cama de algodão e lençóis nos dando o conforto de mais um final de dia. Virar outra vez talvez me faça perceber que estou em claro a noite toda, preocupado com nosso descaso ao mundo, ao nosso futuro, obscuro e sem uma forma concreta.

Havia um lugar que o sorriso era necessário, mostrando os mistérios mais importantes da vida, o amor, a amizade, paz ou simplesmente ficar estacionado na calçada presenciando as estrelas.  Ficar parado no futuro gera desconforto, comodismo, acumulo de pessoas te julgando sobre o que é certo e errado.

Perdemos nossas lembranças, que havia um lugar que sabíamos amar, apreciar, ser e estar presente no mundo e na vida dos que nele habitam, que a essência retorne a sua casa e traga de volta nossa inspiração novamente.

 

Sam 33. Paulo Nunes.

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Sangue por sangue

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Escrever é uma arte, é um momento de reflexão, nesse momento de transformações de uma geração de desastres e isolada, cito esse pequeno trecho traduzido de Knockin’ on Heaven’s Door – Batendo na porta do ceu 

Mamãe, tire esse distintivo do meu peito

Eu não posso mais usá-lo
Está ficando escuro, escuro demais para ver
Me sinto como se eu estivesse batendo na porta do céu…

 

Paragrafo distorcido pelas transformações, mutilações, desilusões, um latrocínio lento que nosso povo a cada dia comete. Nossa maior defesa nos tempos de hoje, se tornou o ataque, o menosprezar, subestimar, agarrar com unhas e dentes nossos ideias,  independente das consequências . Sangue por sangue, nos tornamos mais carnívoros do que nunca.

Cometemos atos sem pensar nos fatos, criticamos sem evidencias, assassinamos sem dor, nos erguemos nos fracassos alheios, choramos lagrimas de crocodilo. A geração do altruísmo foi deixada para trás, tornando a terra habitada por seres sem face.

Guerras civis, terrorismo, corrupção, o homem foi evoluindo e criando armas contra ele mesmo, a evolução gerou uma reação animal, nos tornamos mais agressivos do que os que se nomeiam animais, que estão indefesos e cada vez mais escassos de nosso planeta.

Nosso, cometemos o erro de julgar essa terra como nossa e nos apoderar dela por completo, extraindo, perfurando e acabando com a alma que lhe sustenta, a natureza. Aos poucos notamos sua transformação e seus efeitos, mudanças climáticas, doenças respiratórias, poluição, estamos em um laboratório a seu aberto, experimentando o que nós mesmos criamos.

Não podemos julgar ninguém, porem, o tempo indica cada vez mais o principal culpado pelas mudanças que acontece a cada dia, nós humanos! Melhorar é preciso, talvez colocando as armas no chão, podemos desocupar nossas mãos para abraçar quem precisa de afeto, erguer quem está no chão, dar as mãos e ter fé, pois tudo está em nossas mãos.

Sam33 – Salsicha – Paulo Nunes

 

Surpreender

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Surpreender e ser surpreendido é o segredo. 

Os sentimentos ficaram estagnados, apenas observando a ordem da vida fluir sobre o tempo, habituado com a rotina que criamos, sem perceber que nossos hábitos se tornaram comuns. Não há mais espaço para rotina que fica na entrelinha com o apático. O antigo se tornou descartável no mundo atualmente, a praticidade da escolha, troca, nos tornou vulneráveis, expostos ao acaso.

Não há perseverança, uma troca constante, sentimentos instantâneos, não há paciência. Diversificando um pouco o tema, nós desistimos com certa facilidade, não somente em nossos lares, amores, desistimos de uma carreira, de um sonho, uma simples vontade de ir caminhar, estamos acomodados com o ócio moderno.

Sejamos rápidos, práticos, porem, estáticos em acreditar, firme em entender as situações e contornar os imprevistos. A solução mais fácil para os “modernos” é mudar, alternar o ciclo independente da historia criada, riscar o texto. Não criamos mais fabulas, concentramos nossa vida em torno de um stand up comedy, onde nos preocupamos apenas em realçar nosso riso, ofuscando a conseqüência do choro.

Alias, a fila anda e as conseqüências é problema de fulano, sicrano e beltrano. Não surpreendemos mais, isso não é uma surpresa, mas, nos tornamos tão volúveis que a surpresa maior é saber que dentro de minutos podemos estar diferentes. Éramos desatualizados, desconectados, éramos apenas pessoas buscando sonhos. O segredo é o amor, o medo é do amor, o ser humano tornou o amor marginalizado, passando de mão em mão, sem dar chance para histórias serem criadas, vidas serem divididas, famílias serem feitas, o ser humano tornou o amor uma surpresa, que só os loucos irão ficar estáticos por meses, anos, driblando as adversidades e se surpreendendo com sua luz.

Surpreenda a vida, viva as diferenças, acredite que só o tempo escreve sua história.

Sam33 – Salsicha – Paulo Nunes

Dor

Dor, dói ver como tudo pode acabar em milésimos de segundos, entre escombros ou chamas. Em leitos, lagrimas demarcam o local dessa dor insuportável, que desaparece com o tempo, se dilui entre sentimentos. O que será do amanhã, se o mesmo amanhã não for bem aquilo que almejamos, se diante do inesperado, desacelerarmos no tempo, diante da dor.

O infinito nos dá a tranqüilidade para seguir nosso cotidiano e superar essa desconfiança diante do sombrio e calado momento de dor, dói imaginar. Registramos milhares de sorrisos, risos, que não respondemos a altura, que defrontamos com nosso ego, o mesmo que agora é pego em contradição no melancólico fim.

O escuro é silencioso, é melódico, entre notas doloridas e reflexivas, buscamos respostas diante do ponto final, que afinal, é assustador. Que em nosso fim, nós possamos observar a euforia da luz que irá irradiar em um novo ciclo, que nossa meta seja concluída com dignidade, lealdade e fraternidade, que a verdade seja dita com a dor, para alivia-la em novos tempos. Tempos anestesiados de esperança, lado a lado confrontando com nossas desavenças, crenças, sentenças. Vai doer, mas isso também vai passar.

Sam33

Onomatopeias do Mundo Moderno

Smack

Ops, onomatopeias que perambulam sobre nosso cotidiano. Aham, afigurar nomes, mas, ao mesmo tempo afigurar momentos! Uau! Estamos reduzindo nossos momentos em figuras de linguagem, pois afigurar um termo, é relativamente valido por não termos tempo. Reduzimos nosso linguajar, nosso pensar, pelo vroooom que nossa vida dá.

Humm, nossos pensamentos já não são validos, as ferramentas de busca, pesquisa, moldam eles. Talvez, seja o fim dos tempos, ou, o inicio de outros, pois parados não estamos. Apenas, estamos circulando em uma bolha de influenciados. Vagos, pensamentos são encadeados pelo tic tac de mais um dia, diariamente me pergunto, questiono, sobre nosso boooom tecnológico, que nos deixo tão robotizados, calados, humanos moderados.

Cri cri cri! A noite, apenas cantam os grilos, pois estamos trancafiados em nossos quartos, preocupados, vivendo nosso mundo solitário. As onomatopeias nos cercam cada vez mais, aceleram nossos dedos, em palavras reduzidas e um corretor patético, nos deixa escravos da linguagem moderna. Afe! 

Saímos um pouco do mundo moderno e partimos mais para o bla bla bla, por mais Smack, mais Uhuuuul e mais Hahahaha! Assim a vida é, sem sentido, corretor, formas, som, apenas momentos.

– Sam33 – Paulo Nunes – Salsicha

Impacto

Deus nos coloca na vida dos outros para que tenhamos um impacto uns sobre o outro de alguma forma.

Quantas vezes na vida você foi levado pela emoção e foi impulsionado a mudar repentinamente seu trajeto. Essa é a força que um impacto pode gerir em sua vida, somos levados pelo instante, o que menos raciocinamos, o instante que estamos prestes a desmoronar ou elevar ao extremo. Nosso destino é circunvalado diante do impacto, não temos tempo para reagir e somos levados pela instante, pela magnitude do agora.

Quantas horas, minutos, segundos, você perdeu em sua vida com algo insignificante, tempo desperdiçado, jogado ao relento, pois o simples medo de dar errado, esse mesmo nos afeta e nos deixa prisioneiros do comodismo. Ou seja, mudamos diante de algo impactante, um segundo que pode modificar, alterar o trajeto de uma vida toda.

Sejamos pacientes, porem eloqüentes ao ponto de deixar o mundo perplexo, as pessoas simplesmente pasmas com nossas atitudes e nosso talento. O mundo gira, nós temos que acompanhar o processo, e ir de acordo com a velocidade que queremos que nossas realizações aconteçam, sejamos ratos.

Ratos, roedores de inteligência e ágeis diante das dificuldades da vida, que tenhamos vida enquanto vivemos esse trajeto ocioso, ocupando de realizações e triunfos. Impacto, não espere que algo aconteça em sua vida, faça ela acontecer diante de suas atitudes.

Sam33 – Paulo Nunes – Salsicha

Noite e meia

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Deixe a luz acessa, despir você até a total nudez, a luz se torna ofuscada diante de tanta beleza. Nossos arranhões, esses mesmos que cortam a pele macia, fria, despida ao acaso, minutos de prazer momentâneo, sintonizados pela emoção. Sentir seu coração, me deleito sobre seu peito macio e úmido, sons, batimentos, minha mente leve, me leva a lugar nenhum. Aos meus, aos seus finais de noite, lembranças loucas, bocas macias se entrelaçam em frações de segundos, nosso mundo se encontro na calada, madrugada de toques, carinhos, corpos nus em movimento.

Copos molhados de saliva, papo furado, embaralhado pelo álcool que sobressai entre nossa conversa, risadas de dois amantes, enrolados entre retalhos, cobertores, amores. Deixe a luz acessa, te desfaço aos meus braços, deslizo minha mão ao seu corpo calado, hipnotizado, meus lábios encontrando os seus, meus, adormecidos por um beijo molhado.  Meia noite, noite e meia, inteira, a lua brilha pela metade, pois a outra estava cheia, irradiada de um sentimento de paixão, nua, entre corpos essa foi a noite onde a lua desviou seu brilho, a minha vida e a sua.

 

Salsicha – Sam33 – Paulo Nunes