Chove chuva.

Chuva carente, em um pequeno espaço de tempo sobressai sobre todos os seres mórbidos que se elevam com sua presença, com suas gotas que escorrem no doce rosto aveludado daquela menina. Trovoadas escondem o vôo de um passaro, relaxam os peixes e assustam o canino ensopado que percorre os escombros da cidade. Ela faz uma cidade parar, escala edificios, liberta a criança que há dentro de cada um de nós, ao ser embalado ao ritmo da chuva.

Garoa, granizo, chuvisco, somos enxaguados sem licença, somos jogados para esse maremoto de águas abundantes que invadi nossas vidas sem bater em nossa porta.

Diante do vidro do carro, eu penso, sinto, tenho lembranças, recordações. A chuva me liberta, me faz pensar, raciocinar, gotas eu conto, gostas escorregam sobre o vidro, enquanto eu fecho os olhos com o doce barulho de uma chuva de verão.

Texto: Embalado a uma chuva de verão em BH no dia 12.12.11

Sam 33 – Salsicha – Paulo Nunes

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